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Relatório de mídia com receita: o modelo que o dono da empresa lê

Como montar um relatório que começa pelo dinheiro e não pelo alcance: as cinco linhas obrigatórias, o que cortar e por que a ordem muda a conversa.

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A maior parte dos relatórios de tráfego pago começa errado: primeira página com alcance, impressões e CTR, e a receita — quando aparece — na página seis.

Quem recebe o relatório não trabalha com mídia. É dono de empresa, diretor comercial ou gestor que responde por orçamento. A pergunta dele é uma só: o dinheiro voltou? Um relatório que demora seis páginas para responder isso está organizado para quem escreveu, não para quem lê.

As cinco linhas que importam

LinhaO que responde
Gastoquanto saiu
Leadsquantos contatos entraram
Vendasquantos viraram cliente
Receitaquanto entrou
Custo por vendase fecha a conta

Essas cinco cabem em uma tela. Tudo o mais é apoio.

A linha que muda a conversa é a última. Custo por venda real comparado com a margem do negócio é a única métrica que responde "vale a pena continuar" sem precisar de interpretação.

A ordem importa mais que o conteúdo

Monte em três camadas, nesta ordem:

Camada 1 — O resultado (uma tela). As cinco linhas, o período, a comparação com o período anterior. Nada mais. Quem só vai ler isso precisa sair com a resposta.

Camada 2 — Onde o resultado se formou. Quebra por campanha e por origem: quais campanhas trouxeram as vendas, quais gastaram sem trazer. Aqui entra o que fazer.

Camada 3 — Diagnóstico. CTR, CPM, frequência, posicionamento. Serve para explicar por que a camada 2 ficou como ficou. É a parte que você usa na reunião quando perguntam o motivo, não a parte que abre o documento.

A inversão dessas camadas é o erro mais comum e o mais caro: ele faz parecer que você está escondendo o resultado atrás de atividade.

O que cortar

Métricas de vaidade. Alcance e impressões no resumo executivo não ajudam ninguém a decidir. O artigo sobre métricas de vaidade separa as que medem trabalho das que medem resultado.

Print de painel. Captura de tela do gerenciador obriga o leitor a procurar o número. Se você precisa de um print, o número que importa não estava escrito.

Toda métrica que você não vai comentar. Se uma linha existe no relatório e ninguém nunca falou sobre ela em nenhuma reunião, ela é ruído.

Comparação só contra o mês anterior. Um mês ruim depois de um ótimo parece desastre; depois de um péssimo parece vitória. Mostre três meses, não dois.

A fatia que você precisa mostrar

A parte difícil, e a que separa relatório honesto de relatório vendedor: a fatia sem origem.

Se 30% das vendas do mês não têm origem registrada, isso aparece no relatório. Não distribuído entre os canais, não escondido, não arredondado: uma linha dizendo que 30% das vendas não foram atribuídas.

Parece fraqueza e é o contrário. Quem mostra a fatia cega está dizendo que conhece o próprio método — e ganha credibilidade para os 70% que afirma. Quem apresenta 100% atribuído com rastreio de 60% vai ser desmentido pelo financeiro do cliente mais cedo ou mais tarde.

Um modelo que cabe numa página

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Investimento        R$ 42.000      (set: R$ 38.500)
Leads                      612      (set: 540)
Vendas                      47      (set: 41)
Receita            R$ 188.000      (set: R$ 164.000)
Custo por venda       R$ 894      (set: R$ 939)
Retorno                   4,5x      (set: 4,3x)

Atribuição: 71% das vendas com origem identificada.

ONDE SE FORMOU
Meta Ads      R$ 26.000 · 31 vendas · R$ 839 por venda
Google Ads    R$ 16.000 · 16 vendas · R$ 1.000 por venda

O QUE MUDOU
· Criativo de depoimento entrou dia 8 e responde por 11 das 31 vendas do Meta
· Campanha de busca genérica pausada dia 14: gastou R$ 3.100 sem venda
· Taxa de lead para venda subiu de 7,6% para 7,7%

PRÓXIMO MÊS
· Escalar o depoimento para o conjunto de remarketing
· Dois criativos novos no mesmo formato
· Testar busca por termo de marca, que ficou de fora

Três coisas que esse modelo faz: responde na primeira linha, mostra a cobertura, e termina com decisão em vez de resumo.

O erro de frequência

Relatório mensal e acompanhamento semanal são documentos diferentes com públicos diferentes.

O semanal é operacional: o que foi feito, o que vai ser feito, qualquer coisa que precise de decisão. Três linhas num e-mail bastam.

O mensal é de resultado: as cinco linhas, a comparação, as decisões do próximo mês.

Juntar os dois produz um documento longo que ninguém lê inteiro — e, pior, atrasa para o fim do mês decisões que precisavam ser tomadas na segunda semana.

Como apresentar quando o mês foi ruim

O relatório honesto sofre no mês ruim, e é nele que a confiança se constrói ou se perde.

Abra pelo número. Esconder o resultado atrás de três páginas de contexto é o que mais custa credibilidade.

Explique a causa, não a circunstância. "O leilão encareceu em novembro" é circunstância. "O leilão encareceu 22% e nós não trocamos criativo a tempo" é causa — e vem com a correção embutida.

Traga a decisão. Mês ruim sem proposta de mudança é relatório de quem assistiu.

Para a estrutura da conversa em si, veja como apresentar resultado para cliente; e, se o cliente é quem pede métricas que você considera ruído, o artigo sobre o relatório que o cliente lê trata dessa negociação.

Perguntas frequentes

O que não pode faltar num relatório de mídia com receita?

Gasto, leads, vendas, receita e o custo por venda. Cinco linhas. Tudo o que não ajuda a decidir uma dessas cinco é anexo, não relatório.

E se eu não tiver a receita por campanha?

Mostre o que tem e diga a cobertura. Um relatório com 60% das vendas atribuídas e essa informação visível é mais útil que um que finge ter 100%.

Métricas como alcance e impressões devem sair?

Saem da primeira página. Elas servem para diagnosticar, não para prestar contas. Quem lê o relatório quer saber se o dinheiro voltou, e alcance não responde isso.

Com que frequência enviar?

Mensal para o resultado, semanal para o operacional. Misturar os dois produz um documento longo que ninguém lê inteiro e que atrasa decisão.

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