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Métricas e análise

Como dividir o orçamento entre Meta, Google e TikTok

A divisão por intuição custa caro, e a divisão pelo CPA de cada plataforma também. O critério que funciona e por que o canal mais barato nem sempre merece mais verba.

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Três canais, um orçamento, e a pergunta volta toda reunião de planejamento: quanto em cada um?

As duas respostas mais comuns estão erradas. "Divide igual" ignora que os canais fazem coisas diferentes. "Põe tudo no de CPA menor" ignora que o CPA menor costuma ter o menor teto.

Por que o CPA mais baixo engana

Os canais não competem pela mesma coisa.

Busca colhe demanda que já existe. Alguém procurando "proteção veicular preço" já decidiu que quer. O anúncio só precisa estar lá. CPA baixo, teto baixo: o número de pessoas procurando por mês não muda porque você aumentou o orçamento.

Social cria demanda. Ninguém abre o Instagram querendo contratar nada. O anúncio precisa gerar o interesse antes de capturar. CPA mais alto, teto muito maior.

Colocar toda a verba na busca porque o CPA é menor funciona até o mês em que a busca satura — e aí o CPA dela sobe, porque você está comprando termos cada vez menos relevantes, e você não tem o canal de criação de demanda rodando para alimentar a busca do mês seguinte.

Os dois se alimentam. Boa parte de quem pesquisa a marca no Google viu um anúncio no Instagram antes. Se você corta o social, a busca de marca cai um mês depois — e o relatório vai registrar como se a busca tivesse piorado sozinha.

A base comum: o CRM

Comparar canais pelo painel de cada um é comparar réguas diferentes. Cada plataforma usa a própria janela, o próprio modelo e reivindica o que pode.

A única base comum é a venda registrada no CRM com a origem correta:

canalgastovendas (CRM)receitacusto/vendaretorno
GoogleR$ 12.00024R$ 168.000R$ 50014,0x
MetaR$ 28.00041R$ 287.000R$ 68310,3x
TikTokR$ 6.0005R$ 35.000R$ 1.2005,8x

Essa tabela não existe em nenhum gerenciador. Ela exige a origem chegando ao CRM, que é o trabalho descrito em como ligar o Meta Ads ao CRM.

E ela precisa vir com a cobertura ao lado: se 30% das vendas não têm origem, a divisão de verba está sendo decidida sobre 70% da realidade.

O critério de decisão

Primeiro: cada canal está acima do mínimo?

Canal com verba pequena demais não produz dado suficiente para ser avaliado. R$ 6.000 em um canal cujo custo por venda é R$ 1.200 dá cinco vendas por mês — ruído puro.

Ou dê verba suficiente para o canal ser avaliável, ou desligue. Manter um canal em dose homeopática por um ano é pagar para não aprender.

Segundo: onde está o teto?

Um canal com retorno de 14x e saturado não aceita mais verba — aumentar lá só piora o CPA dele. Um canal com retorno de 10x e espaço aceita.

O sinal de saturação na busca é a parcela de impressões perdidas por orçamento chegando perto de zero: você já está aparecendo em tudo que vale. No social, é a frequência subindo sem aumento de alcance.

Terceiro: qual o papel de cada um?

Divida o orçamento por função, não só por desempenho:

funçãoquantoo que acontece sem ela
Colher demanda existenteo que o canal absorver sem saturarvocê perde venda pronta para o concorrente
Criar demanda novaa maior fatia, se o teto da colheita é baixoa colheita seca em dois meses
Reconquistar quem já veio10 a 20%você paga duas vezes pelo mesmo lead
Testar canal novo5 a 10%você descobre o próximo canal tarde demais

A última linha é a que todo mundo corta primeiro e é a que garante o ano seguinte.

O erro de remanejar rápido demais

Mexer na divisão toda semana coloca todos os canais em aprendizado permanente. Cada mudança grande custa dias de entrega instável, e se você muda toda semana, nenhum canal chega a funcionar bem.

Mensal, com pelo menos 30 dias de dados. E mova entre 10 e 20% do total por vez, não metade.

Exceção legítima: canal gastando sem produzir venda nenhuma por três semanas seguidas. Aí não é remanejamento, é correção.

O teste que ninguém quer fazer

A única forma honesta de saber o que um canal contribui é desligá-lo e observar.

Duas a quatro semanas com um canal pausado mostram o que acontece com o total — não com o número daquele canal, que obviamente vai a zero, mas com as vendas da empresa inteira.

Se desligar o social e as vendas totais caírem 30% enquanto o social representava 20% da atribuição, ele valia mais do que a atribuição mostrava. Se caírem 5%, valia menos.

É caro, assusta, e é o único experimento que responde de verdade. Faça com o canal menor primeiro, num mês sem meta agressiva, e com o cliente avisado.

Resumindo

Não divida pelo CPA, divida por teto e por função. Compare pelo CRM, nunca pelos painéis. Dê a cada canal verba suficiente para ser avaliado ou desligue. Remaneje mensal, não semanal, e mova fatias de 10 a 20%. E reserve uma parte pequena para testar o próximo canal, porque o canal que está barato hoje não vai estar barato para sempre.

Para a decisão de aumentar dentro de um canal já escolhido, veja escalar sem quebrar.

Perguntas frequentes

Devo colocar mais verba no canal com CPA menor?

Não automaticamente. O canal mais barato pode estar colhendo demanda que já existia, enquanto o mais caro cria demanda nova. Os dois são necessários e o barato satura primeiro.

Como comparar canais se a atribuição de cada um é diferente?

Compare pelo CRM, não pelo painel de cada plataforma. A venda registrada no CRM com a origem correta é a única base comum entre canais.

Qual a divisão inicial para quem está começando?

Comece pelo canal onde a demanda já existe, normalmente busca, e só adicione um segundo canal quando o primeiro estiver estável e saturando.

Com que frequência remanejar verba entre canais?

Mensalmente, com dados de pelo menos 30 dias. Remanejar semanalmente reage a ruído e mantém todos os canais em aprendizado permanente.

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