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Métricas e análise

Sete métricas que enganam e o que olhar no lugar

ROAS, CTR, CPL, taxa de conversão e alcance são verdadeiros e mesmo assim levam a decisões erradas. Por que cada um engana e qual métrica usar para decidir.

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As métricas abaixo não são falsas. Elas medem exatamente o que dizem medir. O problema é que o que elas medem não é o que você está decidindo — e usá-las como critério leva a escolhas sistematicamente erradas.

1. ROAS

O que mede: receita atribuída dividida pelo gasto.

Por que engana: o ROAS mais alto da conta quase sempre é o do remarketing, que fala com quem já ia comprar. E ROAS alto com volume baixo costuma valer menos que ROAS médio com volume alto — 4 vendas a 12x rendem menos lucro que 30 vendas a 5x.

O que olhar: lucro absoluto no período, e ROAS separado por função (prospecção, remarketing, marca). Comparar o ROAS da prospecção com o do remarketing é comparar coisas diferentes.

2. CTR

O que mede: atenção.

Por que engana: curiosidade gera clique. Um criativo que diz "você sabia disso?" tem CTR ótimo e conversão péssima. Um criativo que diz o preço na primeira linha tem CTR menor e filtra quem não ia comprar.

O que olhar: custo por conversão. O CTR entra como diagnóstico quando o custo piora — para saber se a queda veio de atenção ou de conversão.

3. CPL

O que mede: quanto custa alguém deixar o contato.

Por que engana: não diz nada sobre quem deixou. CPL de R$ 12 com 3% de fechamento é pior que CPL de R$ 40 com 20%.

O que olhar: custo por venda. E se o volume de venda for baixo demais para ser lido, custo por lead qualificado — mas nunca CPL sozinho.

4. Taxa de conversão da página

O que mede: quantos dos que chegaram preencheram.

Por que engana: ela sobe quando o tráfego fica mais quente, não necessariamente quando a página melhora. Cortar prospecção faz a taxa subir e o volume cair — e o relatório registra como melhoria.

O que olhar: taxa de conversão por origem. A média do site mistura quem veio de busca de marca com quem veio de vídeo no Instagram, e esses dois nunca convertem igual.

5. Alcance e impressões

O que medem: quantas pessoas, quantas vezes.

Por que enganam: são métricas de entrega, não de resultado. Aparecem no relatório porque são grandes e impressionam. Nenhuma decisão de verba deveria sair delas.

O que olhar: nada, no relatório de performance. Impressão e frequência entram como diagnóstico de saturação, nunca como resultado.

6. Conversões da plataforma

O que medem: o que a plataforma reivindica dentro da janela dela.

Por que enganam: cada plataforma usa modelo e janela próprios, e todas reivindicam o que podem. Somar as conversões de três plataformas produz mais conversões do que vendas existem.

O que olhar: vendas no CRM com origem. E a razão entre o que a plataforma reivindica e o que o CRM registrou, que é o deságio da sua conta. Veja janela de atribuição.

7. Qualquer média

O que mede: o centro, escondendo a distribuição.

Por que engana: custo médio por venda de R$ 600 pode ser três campanhas a R$ 400 e uma a R$ 1.800. A média está certa e a decisão que sai dela está errada.

O que olhar: a distribuição. Mediana ao lado da média, e sempre o detalhe por campanha antes de qualquer conclusão sobre a conta.

A métrica que não engana

receita registrada no CRM no período ÷ gasto total no período

Ela não depende de janela, de modelo de atribuição nem de qual plataforma reivindicou o quê. Inclui o que não foi atribuído, porque usa o gasto total no denominador — o que a torna conservadora, que é a direção certa para errar.

É a métrica que sobrevive a uma reunião com o financeiro. Todas as outras são ferramentas de diagnóstico para entender por que essa subiu ou desceu.

Como usar cada uma sem ser enganado

métricaserve paranão serve para
ROAScomparar campanhas da mesma funçãodecidir orçamento total
CTRdiagnosticar saturaçãoescolher criativo vencedor
CPLacompanhar volumeavaliar qualidade
Taxa de conversãootimizar página, por origemmedir melhora geral
Alcancenada em performancerelatório de resultado
Conversõesotimização da plataformareportar venda
Médiasresumo rápidodecidir qualquer coisa

A regra geral: métrica de plataforma serve para operar a plataforma; métrica de negócio serve para decidir dinheiro. Confundir as duas é a origem da maior parte das decisões ruins em tráfego pago.

O teste de uma pergunta

Antes de colocar uma métrica no relatório, pergunte: que decisão eu tomo diferente se esse número dobrar?

Se a resposta for "nenhuma", ela não é uma métrica de resultado. É contexto, e o lugar dela é o anexo.

Para a estrutura de relatório que aplica essa regra, veja o relatório que o cliente lê.

Perguntas frequentes

Qual a métrica mais confiável em tráfego pago?

Receita registrada no CRM dividida pelo gasto total do período. É a única que não depende de janela de atribuição nem de modelo da plataforma.

ROAS alto é sempre bom?

Não. ROAS alto em remarketing costuma refletir a qualidade do público, não o mérito da campanha, e ROAS alto com volume baixo pode valer menos que ROAS médio com volume alto.

Por que o CTR engana?

Porque mede atenção, não intenção. Criativos que geram curiosidade têm CTR alto e conversão baixa; criativos que filtram têm CTR baixo e qualidade alta.

Métrica média é útil?

Raramente, sozinha. A média esconde a distribuição: um custo médio aceitável pode ser a mistura de uma campanha ótima com uma péssima.

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