Métricas e análise
ROAS ideal para e-commerce: como calcular o seu
Os custos que o e-commerce tem e o infoproduto não, por que eles mudam o ROAS mínimo, e como o mix de produtos distorce a meta única da conta.
E-commerce tem uma lista de custos que não aparece em operação digital pura, e cada um deles empurra o ROAS mínimo para cima. Ignorá-los é o que produz a loja com ROAS "bom" e caixa apertado.
Os custos que o e-commerce tem a mais
Antes de qualquer meta, é preciso saber o que sai de cada venda.
Custo do produto. O maior deles, e o único que quase todo mundo lembra.
Frete. Mesmo quando o cliente paga, costuma haver subsídio. Quando é grátis, sai inteiro da margem.
Embalagem e manuseio. Caixa, plástico, etiqueta, tempo de quem separa. Parece pequeno por pedido e não é no acumulado.
Taxa de meio de pagamento. Percentual sobre cada venda, mais antecipação se você antecipa recebível.
Impostos. Variam com o regime e com o produto, e saem do mesmo bolo.
Devolução e reembolso. O ponto mais esquecido, e o mais perigoso em algumas categorias.
Por que a devolução muda tudo
Uma venda devolvida some do caixa e continua no relatório do Meta. O evento de compra disparou, a conversão foi registrada, e o reembolso posterior não a desfaz.
Em categoria com devolução baixa, isso é ruído. Em moda e calçados, onde devolver é parte do comportamento de compra, a diferença entre receita bruta e receita líquida é grande o bastante para inverter uma decisão de orçamento.
O ajuste é simples e quase ninguém faz: calcule a taxa de devolução dos últimos meses e desconte do ROAS antes de comparar com a meta. Um ROAS aparente de 4 com 20% de devolução é um ROAS real de 3,2.
O cálculo do mínimo
A conta parte da margem de contribuição: de cada R$ 100 vendidos, quanto sobra depois de tirar todos os itens da lista acima.
O ROAS de equilíbrio é o inverso dessa margem. E vale insistir num ponto: equilíbrio é o ponto em que você não ganha nada, não a meta.
| Tipo de loja | Margem típica | ROAS de equilíbrio |
|---|---|---|
| Eletrônicos e revenda | 10% a 15% | 7 a 10 |
| Moda | 35% a 50% | 2 a 3 |
| Cosméticos e suplementos | 50% a 65% | 1,5 a 2 |
| Produto próprio de nicho | 55% a 70% | 1,4 a 1,8 |
As faixas são ilustrativas e servem para mostrar a amplitude, não para você adotar uma. A sua margem real é a única que importa, e ela depende da sua negociação de compra, do seu regime tributário e do seu frete.
O método completo está em qual ROAS é bom.
O problema da meta única numa loja com mix
Aqui está o erro que mais custa dinheiro em e-commerce, e ele é invisível no painel.
Uma loja vende produtos com margens muito diferentes. A conta tem uma meta de ROAS só. O resultado: as campanhas dos produtos de margem alta ficam acima da meta com folga e as de margem baixa ficam abaixo — então você escala as primeiras e corta as segundas.
Parece certo, e às vezes é o inverso do certo. Um produto de margem baixa e ticket alto pode gerar mais lucro absoluto por venda que um de margem alta e ticket baixo, mesmo com ROAS pior.
A saída é separar campanhas por faixa de margem e dar meta a cada uma. Dá mais trabalho na estruturação e é o que faz a otimização parar de escalar o produto errado.
Frete grátis é uma decisão de ROAS
Oferecer frete grátis não é só uma decisão de conversão — é uma decisão sobre quanto ROAS você precisa.
O frete sai da margem, então o mínimo sobe. Em compensação, a conversão costuma melhorar, o que baixa o custo por venda. Os dois efeitos se movem em direções opostas e o saldo depende do seu ticket.
Em ticket alto, o frete é percentualmente pequeno e a oferta costuma compensar. Em ticket baixo, ele pode consumir a margem inteira. Calcule o custo médio de frete por pedido antes de decidir — e recalcule o ROAS mínimo com esse valor dentro.
O mesmo raciocínio vale para cupom de primeira compra: ele é margem que você abriu mão, e precisa entrar na conta.
Primeira compra ou cliente inteiro
Em e-commerce com recompra, medir só a primeira venda é conservador demais.
Se o cliente médio compra três vezes ao longo de um ano, o ROAS da primeira compra pode ficar perto do equilíbrio — ou até abaixo — desde que a recompra aconteça de verdade. Essa é a diferença entre operações que crescem e operações que estagnam com boa margem.
A ressalva é usar o histórico real de recompra, não a projeção otimista. E revisar conforme a base amadurece, porque a taxa de recompra dos primeiros clientes raramente se mantém na escala.
Quando o ROAS do painel não é o ROAS real
Antes de julgar qualquer campanha pela meta, vale confirmar que o número que aparece descreve a realidade. Em e-commerce, três distorções são comuns.
Compra contada duas vezes. Integração da plataforma disparando o evento e um script extra na página de obrigado. Dobra o ROAS aparente, e é o erro que mais sobrevive porque faz tudo parecer ótimo.
Valor que não chega. Evento de compra sem o valor do pedido. Sem ele, não existe ROAS — o painel mostra conversões e nenhuma receita.
Valor do carrinho contra valor do produto. Com order bump e upsell, o que chega ao Meta pode ser só o item principal. O ROAS fica menor que o real, e campanhas boas parecem ruins.
As três são verificáveis em minutos com uma compra de teste. O roteiro está em como testar o pixel do Facebook, e o diagnóstico de números que não fecham em pixel do Facebook não funciona.
Marketplace e loja própria não compartilham meta
Loja que vende nos dois lugares precisa de contas separadas, porque a estrutura de custo é outra.
No marketplace, há comissão da plataforma sobre cada venda — um custo que a loja própria não tem. Isso derruba a margem e sobe o ROAS mínimo, às vezes bastante.
Em compensação, o marketplace traz demanda que você não precisou gerar, e a conversão costuma ser melhor porque a confiança já está estabelecida.
Tratar os dois com a mesma meta faz o canal de comissão parecer pior do que é, ou o canal próprio parecer melhor. Cada um precisa da própria conta de margem e do próprio limiar.
O que fazer esta semana
Calcule a margem de contribuição real de cada faixa de produto, com frete, embalagem, taxa e imposto dentro. Desconte a taxa de devolução da categoria. Derive o ROAS de equilíbrio de cada faixa.
Depois, olhe suas campanhas e veja quantas estão sendo julgadas por uma meta que não corresponde à margem do produto que elas vendem. Em loja com mix variado, essa checagem costuma encontrar pelo menos uma campanha que está sendo cortada por engano — e outra que está sendo escalada sem dar lucro.
E olhe a operação inteira, não só as campanhas: a métrica que mostra quanto do faturamento total depende de anúncio está em ROAS ou TACoS. E se a venda acontece dentro de marketplace, a conta muda por causa da comissão e do frete subsidiado: qual ROAS usar na Shopee.
Perguntas frequentes
Existe um ROAS ideal para e-commerce?
Só em relação à sua margem. Loja de eletrônicos com 12% de margem precisa de ROAS muito maior que loja de cosméticos com 55% — e as duas são e-commerce.
Devolução entra no cálculo?
Precisa entrar. Em categorias com devolução alta, como moda, ignorar isso infla o ROAS aparente em dois dígitos percentuais e leva a decisões erradas de orçamento.
Posso ter metas diferentes por produto?
Deveria, se as margens forem diferentes. Meta única numa loja com mix variado faz você escalar o produto errado e cortar o que dava lucro.
Frete grátis muda o ROAS mínimo?
Muda bastante. O frete sai da margem, então oferecer grátis exige ROAS maior para o mesmo lucro. Vale calcular o custo médio de frete por pedido antes de decidir.