Métricas e análise
Tech Provider do WhatsApp: como funciona a ligação entre Meta, provedor e número
Por dentro da conexão: o app do provedor, as duas permissões, a conta do WhatsApp (WABA), os webhooks e quem hospeda as mensagens na Cloud API.
Antes de clicar em "Conectar número", quem cuida da operação costuma ter uma dúvida bem física: por onde passa a mensagem do cliente? Fica guardada onde? O que o fornecedor consegue fazer com o meu número, e o que não consegue?
A resposta cabe em quatro peças, duas permissões e três caminhos de mensagem. Entendendo isso, qualquer proposta de Tech Provider fica fácil de ler. Se você ainda está no "o que é", comece pelo guia geral de Tech Provider da Meta.
As quatro peças da ligação
| Peça | O que é | De quem é |
|---|---|---|
| Portfólio empresarial | A estrutura da empresa na Meta, onde ficam as contas e os acessos | Da sua empresa |
| WABA | A conta do WhatsApp Business na plataforma: guarda números, modelos de mensagem e configurações | Da sua empresa, dentro do seu portfólio |
| Número de telefone | O número que o cliente vê e para o qual escreve | Da sua empresa |
| App do provedor | O software do Tech Provider, aprovado pela Meta, que recebe acesso à sua WABA | Do provedor |
A lógica é simples. As três primeiras peças são suas. A quarta é do provedor e entra como convidada com permissões, não como dona. A Meta escreve que as empresas integradas pelo cadastro incorporado são donas de todos os ativos de WhatsApp e que o provedor não pode restringir o acesso delas ao WhatsApp Manager.
As duas permissões que o app recebe
Ao final do cadastro, você dá ao app do provedor acesso aos seus ativos de WhatsApp. A Meta divide esse acesso em duas permissões, e o provedor só consegue integrar clientes depois de ter o acesso avançado às duas aprovado no App Review.
| Permissão | O que libera |
|---|---|
whatsapp_business_management | Configurações da WABA e modelos de mensagem. É o que permite criar e acompanhar templates por você |
whatsapp_business_messaging | Configurações do número e envio e recebimento de mensagens |
Numa WABA compartilhada, a Meta lista o que o parceiro pode fazer: adicionar números, criar templates, enviar mensagens, atribuir usuários à conta, ver métricas e ver dados de pagamento. E define o limite do outro lado: o provedor não consegue desligar nem personalizar o que você vê ou faz na sua própria conta.
O caminho de uma mensagem, passo a passo
O desenho abaixo é o que acontece em cada conversa. Não há servidor de WhatsApp do provedor no meio: a peça central é sempre a Meta.
Quando o cliente escreve
- O cliente manda a mensagem para o seu número.
- A mensagem chega à Cloud API, a infraestrutura de WhatsApp para empresas hospedada pela Meta.
- A Meta dispara um webhook, um aviso automático com o conteúdo, para o endereço que o app do provedor cadastrou.
- O provedor processa o aviso e mostra a conversa no painel dele, junto com o que mais oferece, como a origem do anúncio que gerou a conversa.
Quando a empresa responde pela API
- Alguém clica em enviar no painel do provedor, ou uma regra automática dispara.
- O app do provedor faz o pedido à Cloud API usando um token de empresa ligado à sua WABA.
- A Meta entrega a mensagem e devolve avisos de status por webhook, como o de entrega.
- Se a mensagem for um modelo (template), a Meta registra a cobrança na sua conta. Mensagem comum dentro da janela de atendimento não é cobrada.
Quando a equipe responde pelo celular (coexistência)
- O atendente responde no app WhatsApp Business, como sempre.
- A mensagem chega ao cliente normalmente e continua gratuita.
- A Meta manda ao app do provedor uma cópia, o webhook de eco (
smb_message_echoes). É o que permite ao painel mostrar a conversa inteira, e não só a metade que passou pela API.
O que o provedor faz depois que você conclui o cadastro
O cadastro incorporado termina na sua tela, mas o trabalho do provedor começa ali. Segundo a documentação da Meta, a janela devolve ao provedor o ID da WABA, o ID do número e um código temporário. A partir disso, ele:
- troca o código por um token de empresa, o único tipo de token que a Meta orienta Tech Providers a usar;
- inscreve o app dele para receber os webhooks da sua WABA;
- registra o número na Cloud API;
- orienta você a cadastrar um meio de pagamento na conta do WhatsApp.
Enquanto essas etapas não terminam, você não consegue usar o app do provedor nos seus ativos. Quando terminam, a Meta considera a empresa totalmente integrada. Se a conexão parecer travada depois do login, é quase sempre aqui que algo ficou pela metade. As telas que você vê nessa hora estão em Embedded Signup.
Quem hospeda o quê
Essa é a pergunta que costuma vir do jurídico, e ela tem três respostas diferentes.
As mensagens, na Cloud API. A Meta hospeda. Ela atua como operadora de dados em nome da sua empresa, guarda as mensagens por no máximo 30 dias, com criptografia em repouso, e cuida das chaves. Números conectados pelo cadastro incorporado só podem ser registrados na Cloud API.
A cópia no provedor. Tudo o que chega por webhook passa a existir também no sistema do provedor. Quanto tempo ele guarda, onde e quem acessa depende dele, e é assunto de contrato. O tema está aprofundado em Tech Provider e LGPD.
O histórico antigo do app. Na coexistência, as conversas de até cerca de 6 meses (180 dias) antes da conexão só são enviadas ao provedor se você escolher compartilhar. E o provedor tem 24 horas para buscá-las, como explica a sincronização de 24 horas.
O que esse desenho garante, e o que não garante
Garante:
- o número e a WABA ficam no seu portfólio, com acesso total ao WhatsApp Manager;
- o provedor não precisa da sua senha em momento nenhum;
- a cobrança das mensagens é entre você e a Meta.
Não garante:
- que só um sistema ouça a sua WABA. A API prevê mais de um app inscrito na mesma conta, sem limite documentado. Na dúvida, pergunte ao provedor quais apps estão conectados;
- que o provedor apague a cópia dele quando você sair. Isso é contrato, não regra técnica.
No Vazante
A ligação segue exatamente esse desenho. O Vazante é Tech Provider (provedor de tecnologia) da Meta, o número é conectado pelo cadastro oficial na tela WhatsApp do painel, a conta fica no seu portfólio e a Meta cobra as mensagens direto de você. Com o número conectado, o painel acompanha os templates, envia mensagens e mostra qual anúncio gerou cada conversa, com o custo. Veja como funciona na página do WhatsApp Coexistence.
Perguntas frequentes
O Tech Provider hospeda o WhatsApp da minha empresa?
Não. As mensagens ficam na Cloud API, que é hospedada pela Meta, e números conectados pelo cadastro incorporado só podem ser registrados nela. O provedor opera um app que recebe avisos da Meta e faz pedidos de envio.
O provedor recebe o conteúdo das mensagens?
Sim. As mensagens recebidas e os avisos de status chegam por webhook ao app do provedor, e na coexistência também chegam cópias do que a equipe manda pelo celular. Por isso vale perguntar o que ele guarda e por quanto tempo.
Por que o app do provedor pede duas permissões?
Porque a Meta separa gestão de mensagem. Uma permissão dá acesso às configurações da conta do WhatsApp e aos modelos; a outra, ao número e ao envio e recebimento de mensagens.
Mais de um sistema pode ouvir o mesmo número?
A API prevê mais de um app inscrito na mesma conta, mas a Meta não documenta limite nem como os avisos se dividem. O recurso oficial de vários provedores no mesmo número ainda aparece como beta fechado.