Métricas e análise
Com um Tech Provider, o número continua seu? Quem é dono da WABA e do histórico
Com um Tech Provider, número, conta do WhatsApp e templates ficam no seu portfólio. Veja onde mora o histórico e o que sai quando você cancela o provedor.
A pergunta costuma aparecer tarde. No dia em que a empresa quer trocar de fornecedor, ou quando sai o sócio que configurou tudo, alguém pergunta: o número é nosso ou é deles?
Com um Tech Provider que conecta pelo cadastro oficial da Meta, a resposta curta é: o número é seu. A resposta completa tem mais detalhe, porque "o número" é na verdade um conjunto de ativos, e o histórico das conversas mora em mais de um lugar. É essa diferença que decide o que você leva quando sai.
O que a Meta diz, sem interpretação
A documentação do cadastro incorporado (o Embedded Signup) tem uma frase que resolve a maior parte da dúvida: empresas integradas por esse fluxo são donas de todos os seus ativos de WhatsApp. A conta do WhatsApp, a WABA, fica no portfólio empresarial que o próprio cliente escolhe ou cria durante o cadastro.
A Meta vai além. O cliente tem acesso total ao Gerenciador do WhatsApp, e o provedor não pode restringir esse acesso de forma alguma. Na página que descreve o que um provedor faz numa conta compartilhada, a regra aparece de novo, pelo outro lado: o provedor não consegue desativar o que o cliente vê ou faz.
O provedor, então, recebe acesso, não propriedade. Com esse acesso ele pode adicionar números, criar templates, enviar mensagens, atribuir usuários e ver métricas e dados de pagamento. É muita coisa, mas é tudo feito dentro de uma conta que continua sendo sua.
Ativo por ativo: de quem é cada peça
| Ativo | Onde fica | De quem é | O que o provedor tem |
|---|---|---|---|
| Portfólio empresarial | Na Meta | Sua empresa | Só o acesso que você concedeu |
| Conta do WhatsApp (WABA) | No seu portfólio | Sua empresa | Acesso para gerenciar |
| Número de telefone | Na sua WABA e, na coexistência, também no app | Sua empresa | Acesso para enviar e receber |
| Templates | Na sua WABA | Sua empresa | Pode criar e usar |
| Forma de pagamento e cobrança da Meta | Na sua WABA | Sua empresa | Vê os dados de pagamento |
| Limite de envio e qualidade | No seu portfólio e no número | Atributos da sua conta | Influencia pelo que envia |
| Conversas no celular | No aparelho | Sua empresa | Recebe cópia do que entra e sai enquanto conectado |
| Dados gravados pelo provedor | No sistema do provedor | Definido em contrato | Guarda e trata |
Repare na última linha. Tudo o que está na Meta é seu por regra da Meta. O que está no sistema do provedor é regulado pelo contrato que você assinou com ele, e é aí que mora a maior parte dos problemas de saída.
O histórico mora em três lugares
Quando alguém diz "o histórico", pode estar falando de três coisas diferentes.
1. No celular. Na coexistência, as conversas continuam no app WhatsApp Business. Conectar o número a um provedor não apaga as conversas do aparelho, e desconectar também não.
2. Na Meta. A Cloud API é hospedada pela Meta, que guarda as mensagens por no máximo 30 dias. Isso não é um arquivo histórico, é um armazenamento de passagem. Quando a empresa deixa de usar a Cloud API, os Termos de Hospedagem preveem a exclusão dos dados pessoais em até 90 dias, salvo obrigação legal.
3. No provedor. O app do provedor recebe da Meta as mensagens que chegam e os status das que saem, e é ele quem monta o histórico que você consulta no painel. Na coexistência, ele também pode receber até cerca de 6 meses (180 dias) de conversas anteriores, se você escolher compartilhar no momento da conexão.
A consequência prática: ser dono do número não é o mesmo que ser dono do histórico que aparece no painel do provedor. Antes de assinar, pergunte em que formato dá para exportar, por quanto tempo os dados ficam guardados depois do cancelamento e como é feita a exclusão. As perguntas de dados pessoais, com os papéis de cada empresa, estão em Tech Provider e LGPD.
O que acontece quando você cancela
Imagine que a empresa decidiu sair do provedor. O resultado se divide em três grupos.
Continua com você:
- o número, a conta do WhatsApp e o portfólio;
- os templates que estão na conta;
- a forma de pagamento e a relação de cobrança com a Meta;
- o nome de exibição;
- na coexistência, o app no celular, funcionando como antes.
Sai junto com o provedor:
- o acesso dele à sua conta;
- tudo o que dependia do sistema dele: envios automáticos, painel, integrações e o registro de conversas novas.
Depende do contrato:
- o histórico que o provedor gravou e por quanto tempo ele fica disponível para você.
Na coexistência, a própria empresa pode desconectar o provedor pelo app, e a Meta avisa o provedor da remoção. Fora da coexistência, a tabela de permissões da Meta prevê que a empresa deixe de compartilhar a conta com o provedor, mas o texto foi escrito pensando em Solution Partners; peça ao seu provedor o caminho exato. Os cenários de saída estão em como trocar de Tech Provider, e o que volta ao app depois de desconectar está em desconectar o WhatsApp Coexistence.
Quando o número não era do cliente
Nem sempre foi assim. Até 2025 existia um modelo chamado On-Behalf-Of, em que o fornecedor criava a conta do WhatsApp em nome do cliente. A Meta descontinuou esse modelo para os Solution Partners: o último dia para integrar clientes por ele foi 29/09/2025, as contas criadas assim deveriam ser transferidas aos clientes até 01/10/2025, e o restante seria migrado automaticamente até o fim de 2025.
Se a sua empresa conectou o WhatsApp a um fornecedor antes disso, vale uma conferência de dez minutos:
- a conta do WhatsApp aparece no portfólio da sua empresa, e não só no do fornecedor;
- mais de uma pessoa da empresa administra esse portfólio, para que a saída de alguém não tranque o acesso;
- a forma de pagamento da conta é da empresa;
- você sabe qual provedor tem acesso e desde quando.
Se você não sabe onde encontrar essas informações, o guia de portfólio de negócios do Meta mostra onde ficam os ativos e os acessos de parceiros. E alguns sinais pedem atenção antes de qualquer conexão nova: fornecedor que pede a senha do Facebook, que diz que o número precisa ir para o portfólio dele, ou que trata o número como ativo próprio no contrato. O cadastro oficial existe justamente para que nada disso seja necessário, como explica o post sobre o Embedded Signup.
Como fica no Vazante
No Vazante, a conexão é feita pelo cadastro oficial da Meta, com login do Facebook, dentro da tela WhatsApp do painel. A conta do WhatsApp e o número ficam no portfólio da sua empresa, e o Vazante recebe acesso para operar. As mensagens enviadas pela API são cobradas pela Meta direto na sua conta; o Vazante cobra só o plano.
Se quiser ver como a conexão funciona antes de decidir, a página do WhatsApp Coexistence mostra o passo a passo e o que cada plano inclui.
Perguntas frequentes
Se eu cancelar o Tech Provider, perco o número?
Não. Quando a conexão é feita pelo cadastro oficial da Meta, o número e a conta do WhatsApp ficam no portfólio da sua empresa. Cancelar tira o acesso do provedor, não o número.
O provedor pode esconder alguma configuração de mim?
Não. A Meta diz que quem entra pelo Embedded Signup tem acesso total ao Gerenciador do WhatsApp e que o provedor não pode restringir esse acesso de forma alguma.
O histórico das conversas é meu?
O que está no celular continua no app, e a Meta guarda as mensagens da Cloud API por no máximo 30 dias. O que o provedor gravou no sistema dele segue o contrato, então combine exportação e exclusão antes de assinar.
Como confiro se a conta do WhatsApp está no meu portfólio?
Abra o portfólio empresarial da sua empresa na Meta e veja se a conta do WhatsApp aparece entre os ativos dele. Se ela só existe no portfólio do provedor, a estrutura precisa ser corrigida antes de qualquer outra decisão.