Vazante

Métricas e análise

Como medir resultados de marketing digital: o método em 5 passos

Como medir resultados de marketing digital sem se perder em métricas: defina o resultado, desenhe a cadeia, instrumente, fixe a régua e leia toda semana.

Este artigo também está em: English · Español

Como medir resultados de marketing digital é uma pergunta de método, não de métrica. O método tem cinco passos: definir o resultado de negócio antes de escolher qualquer número, desenhar a cadeia de causa e efeito que leva até ele, instrumentar cada elo para que o dado exista, fixar o período e a régua de comparação, e montar um ritual de leitura semanal e mensal. Quem pula o primeiro passo acaba medindo o que a plataforma mostra, e a plataforma mostra o que ela vende. O resto do artigo é o método, com a pergunta que cada passo responde e o erro que mais vejo em cada um.

Como medir resultados de marketing digital: a ordem importa

O caminho comum começa pelo painel. A pessoa abre o Gerenciador de Anúncios, escolhe cinco colunas que parecem importantes e monta um relatório. Três meses depois o relatório diz que cliques subiram, CTR melhorou, CPL caiu, e o dono da empresa pergunta se vendeu mais. Ninguém sabe responder.

O problema é a ordem. Métrica escolhida antes do resultado mede o que é fácil de contar, e o que é fácil de contar acontece dentro da plataforma. O que o negócio compra acontece depois, fora dela. Os cinco passos invertem a ordem: resultado primeiro, métrica por último.

Passo 1: defina o resultado de negócio antes da métrica

O resultado é o que alguém pagaria para ter. Venda, receita, contrato assinado, consulta realizada, lead qualificado quando o ciclo é longo e a venda demora meses. "Leads" não é resultado; é um ponto no caminho. "Cliques" também não.

Um teste simples: se esse número dobrasse e nada mais mudasse, o dono ficaria satisfeito? Se a resposta é "depende", ainda não é o resultado. Leads dobrando com as mesmas vendas não satisfazem ninguém.

Escreva em uma linha, com valor: "uma consulta realizada, que vale em média R$ 350". O valor entra agora porque é ele que define, lá na frente, quanto você pode pagar por cada elo. O raciocínio de partir da margem para chegar na meta está em KPIs de marketing digital; aqui só precisa da linha.

Erro comum: escolher "lead" como resultado porque é o que a plataforma conta e o que dá para entregar toda semana. É confortável e é o começo de todo relatório que não responde se vendeu.

Passo 2: desenhe a cadeia de causa e efeito e escolha uma métrica por elo

Entre a verba e o resultado existe uma sequência que não muda muito de negócio para negócio:

impressão → clique → visita à página → lead → lead qualificado → venda

Cada seta é um elo, e cada elo tem uma taxa de passagem: de impressão para clique é o CTR; de visita para lead é a taxa de conversão da página; de lead para lead qualificado é a qualificação do comercial; de qualificado para venda é o fechamento. E cada ponto tem um custo acumulado: CPM, CPC, CPL, custo por lead qualificado, CAC.

A regra é uma métrica por elo. Duas métricas para o mesmo elo vão discordar em algum momento, e a reunião vira discussão sobre qual está certa em vez de decisão. Se o elo é "impressão para clique", a métrica é o CTR no link, e pronto. A lista por objetivo está em KPIs de marketing digital, e a versão por etapa em métricas por etapa do funil. Não vou repetir aqui.

O desenho serve para duas coisas. Diagnóstico: quando o resultado piora, você percorre a cadeia e para no primeiro elo que mudou. Responsabilidade: cada elo tem um dono. Leilão e criativo são do gestor de tráfego; página, de quem faz a página; qualificação e fechamento, do comercial. Sem a cadeia, o gestor de tráfego responde por venda sem controlar metade do caminho.

Erro comum: medir a mesma coisa em dois elos (cliques e visitas à página como se fossem iguais) e não medir nada nos dois últimos, que são os que decidem.

Passo 3: instrumente cada elo para que o dado exista

Cadeia desenhada no papel não mede nada. Cada elo precisa de um lugar onde o número é gravado e de alguém que consiga apontar de onde ele veio. São três camadas:

  1. Dentro da plataforma. O evento de conversão configurado e testado no Meta e no Google. O que a plataforma conta como conversão, o que ela não conta e por que os números divergem do seu registro estão em conversões no Meta Ads. Sem isso, os três primeiros elos existem e o quarto é chute.
  2. Entre a plataforma e o site. Um padrão de UTM que sobrevive ao clique e chega na página, no formulário e no registro do lead. É o que permite dizer "esse lead veio da campanha X". O padrão que faz o relatório bater está em UTM em tráfego pago.
  3. Fora da plataforma. Lead qualificado e venda vivem no CRM ou na planilha do comercial, não no Gerenciador. Precisa de um campo "origem" preenchido a partir da UTM, uma data e um status. É o elo mais barato de instrumentar e o mais ignorado: um campo a mais no cadastro.

O teste das três camadas é o mesmo: faça um cadastro você mesmo, do anúncio até a página de obrigado, e siga o registro. O lead apareceu na plataforma? Chegou com a origem certa no CRM? Se você marcar esse lead como vendido, a venda vai para a campanha certa? Qualquer "não" é um elo quebrado, e todo número depois dele é estimativa.

Erro comum: instrumentar até o lead e parar. É o padrão da maioria das contas, e é por isso que a maioria dos relatórios termina em CPL.

Passo 4: fixe o período e a régua de comparação

Um número sozinho não diz nada. O CPL desta semana é bom ou ruim? Depende da meta e da semana anterior. O passo 4 é decidir, antes de olhar, contra o que cada número vai ser comparado, e não mudar depois.

Três decisões:

  • Período fechado e de mesmo tamanho. Semana contra semana, sete dias completos contra os sete anteriores. Mês fechado contra mês fechado. Nunca "hoje", que ainda está rodando.
  • Mesma régua nos dois lados. Mesmo evento de conversão, mesma janela de atribuição, mesma definição de lead. Trocar a janela no meio do trimestre muda o número sem mudar a campanha; o efeito está detalhado em atribuição no Meta Ads.
  • Três comparações, sempre as mesmas. Contra a meta (a que saiu da margem no passo 1), contra o período anterior e, se o negócio tem sazonalidade, contra o mesmo período do ano passado.

E um cuidado com volume pequeno: uma venda a mais numa semana de quatro vendas vira um percentual grande e é ruído. Quando o número no fim da cadeia é pequeno, leia períodos maiores ou some semanas antes de concluir qualquer coisa.

O exemplo que mostra por que a cadeia inteira importa

Números inventados só para mostrar a conta. Um negócio gasta R$ 2.000 por semana no Meta.

Semana 1Semana 2
GastoR$ 2.000R$ 2.000
Leads100140
CPLR$ 20,00R$ 14,29
Leads qualificados2021
Vendas44
CACR$ 500R$ 500

Lendo só o CPL, a semana 2 foi muito melhor. Lendo a cadeia, nada mudou no que importa: as mesmas vendas pelo mesmo custo. Os 40 leads a mais eram mais baratos porque eram piores, e o comercial gastou tempo descartando. Um relatório que termina em CPL comemora a semana 2. Um relatório que chega no CAC diz que a campanha mudou de público e a operação absorveu o custo.

Erro comum: mudar a régua quando o número está ruim. Trocar de "semana contra semana" para "últimos 30 dias" porque a semana foi feia, ou de "lead qualificado" para "lead" porque o qualificado caiu. Toda régua que muda para melhorar o número deixa de servir para alguma coisa.

Passo 5: monte o ritual de leitura

Instrumentação boa com leitura ruim não serve. O ritual é o que separa medir de ter dados. Dois momentos, com perguntas diferentes:

Toda semana, em 15 minutos

  • Resultado e custo por resultado da semana fechada, contra a meta e contra a semana anterior.
  • A cadeia inteira só se o resultado mudou. Se o custo subiu, percorra da esquerda para a direita e pare no primeiro elo que se moveu.
  • Uma decisão por campanha: manter, ajustar ou pausar. Escrita em uma linha, com o motivo.

O que não entra no semanal: venda e CAC, se o ciclo do negócio é maior que uma semana; o número estaria incompleto. O modelo de cinco blocos do semanal está em relatório semanal de tráfego pago.

Todo mês, em uma hora

  • Mês fechado, com os dados de venda do CRM já lançados.
  • CAC e retorno por canal, não por campanha. É aqui que entra a conta de custo total, com ferramenta, hora de gente e produção de criativo, que está em ROI de marketing digital.
  • A cadeia de ponta a ponta: onde a taxa de passagem caiu ou subiu em relação ao mês anterior.
  • Uma decisão de verba: onde tira, onde põe, o que para.

E a cada trimestre, uma pergunta só: o resultado do passo 1 ainda é o mesmo? Quando a oferta ou o canal de venda mudam, a cadeia muda junto, e o relatório que continuou igual mede o negócio de seis meses atrás.

Erro comum: olhar todo dia e decidir todo dia. O dado diário serve para ver tendência. Quem mexe na campanha toda manhã nunca sabe o que causou o quê.

Os 5 passos em uma tabela

PassoPergunta que respondeErro comum
1. Definir o resultadoO que o negócio compra, e quanto vale?Chamar lead de resultado porque é o que a plataforma conta
2. Desenhar a cadeiaPor onde a verba passa até virar resultado, e quem é dono de cada trecho?Vinte métricas sem cadeia; nenhuma nos dois últimos elos
3. InstrumentarO número de cada elo existe e dá para apontar de onde veio?Instrumentar até o lead e parar
4. Fixar a réguaContra o que cada número vai ser comparado?Trocar a régua quando o número está ruim
5. Ritual de leituraO que se decide toda semana e o que se decide todo mês?Olhar todo dia e decidir todo dia

Próximo passo: o método em uma semana

Uma semana, um passo por dia:

  • Segunda: escreva o resultado em uma linha, com valor. Mostre para quem paga a conta e pergunte se é isso.
  • Terça: desenhe a cadeia do seu negócio e coloque uma métrica e um dono em cada elo.
  • Quarta e quinta: faça o cadastro de teste e siga o lead até o CRM. Anote onde quebrou; conserte o que der, o resto vira tarefa.
  • Sexta: fixe o período e as três comparações. Escreva em um lugar que todo mundo veja.
  • Segunda seguinte: primeira leitura de 15 minutos sobre a semana fechada, com uma decisão por campanha.

Se a semana terminar com um elo quebrado, você já mediu mais do que a maioria: sabe onde o dado não existe. Para acompanhar os primeiros elos sem montar planilha, veja o relatório de tráfego pago do Vazante.

Perguntas frequentes

Qual é a métrica mais importante para medir resultados de marketing digital?

A que mede o resultado que o negócio compra: venda, receita ou lead qualificado, com o custo para chegar nele. CPL, CTR e CPM explicam esse número, mas não substituem. Se o relatório não chega na venda, ele mede esforço, não resultado.

Como medir resultado de marketing digital quando a venda acontece fora da internet?

Registrando a venda com a origem do lead. O lead chega com UTM ou com o nome da campanha, isso vai para um campo no CRM ou na planilha, e a venda é anotada nesse mesmo registro. Sem esse campo, a cadeia quebra no último elo, que é o que importa.

Com que frequência devo olhar os resultados das campanhas?

Leitura curta toda semana, sobre semana fechada, para decidir manter, ajustar ou pausar. Leitura completa todo mês, com os dados de venda, para decidir onde a verba vai. Olhar todo dia e decidir todo dia é a forma mais comum de reagir a ruído.

O que é comparar semana contra semana?

É comparar sete dias completos com os sete dias completos anteriores, com a mesma régua: mesmo evento de conversão, mesma janela de atribuição, mesma definição de lead. Dia parcial e régua trocada no meio invalidam a comparação.

Quantas métricas preciso acompanhar para medir bem?

Uma por elo da cadeia que leva até o resultado: impressão, clique, visita, lead, lead qualificado, venda. Isso dá cinco ou seis números, mais o custo acumulado em cada um. Mais que isso vira relatório que ninguém lê.

Leia também